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Estas vistas e visões são registradas em fotografias; mais uma vez a imagem entra para intermediar a relação com a cidade; “a imagem da cidade entra na paisagem doméstica”(13) por um desejo de possuir o objeto de tão perto quanto o possível: “Mas fazer as coisas se aproximarem de nós, ou antes, das massas, é uma tendência tão apaixonada do homem contemporâneo quanto a superação do caráter único das coisas, em cada situação, através da sua reprodução.”(14)
O espaço virtual do ciberespaço está repleto destas reproduções; os labirintos de imagens no espaço eletrônico substituem os labirintos de ruas das cidades. O artista Francis Alÿs chama atenção para o fato de o lançamento do software “Windows 95” introduziu a janela como uma metáfora dominante da interface do computador, que já era uma grande referência cultural desde que Leon Battista Alberti sistematizou a perspectiva, que ficou conhecido como “A Janela de Alberti”. Este método condicionou o entendimento da pintura e agora, na era digital, molda a nossa relação com o computador. A tela do computador sugere uma profundidade à superfície bidimensional: “...uma vez que a internet passou a ser imaginada como um ‘infospace’ ou ‘cyberspace’ foi visualizada, pelo menos em parte, como análoga ao espaço físico. Todo terminal de computador, com suas janelas abrindo e fechando à vontade, sugerem aos usuários uma saída para o que está ‘lá fora’, uma ‘paisagem’ geograficamente imprecisa em constante expansão que podemos espiar por meio de nossas múltiplas ‘janelas’.”(15) E Alÿs continua relatando que na Renascença os artistas recorriam ao método de abrir uma janela em uma das paredes de sua composição para introduzir uma abertura para a natureza; uma tentativa de incorporar o que está distante; impulsionado o espectador para mais fundo no espaço da representação. “A extensão do princípio de veduta introduz o conceito de um ambiente contínuo e prepara o caminho para a integração de técnicas de perspectiva.”(16) A noção de algo “além” foi retomada no Romantismo para sugerir o progressivo afastamento em relação à natureza, que Alÿs exemplifica pela obra de Caspar David Friedrich onde os personagens aparecem de costas contemplando uma janela, olhando para algo que encontra-se longe da vista, um horizonte atrás de outro horizonte, atrás de outro horizonte...