O mito da cidade global na semi-periferia do capitalismo reflete as incongruências de uma cidade como São Paulo. A cidade jamais liberta-se desta precariedade, são ruídos que embora sejam efêmeros, são construídos e destruídos e re-construídos diariamente, são uma presença constante na paisagem. São o sub-produto de um modelo de crescimento que funciona mais no sentido da segmentação do que da integração, que opta por criar sempre novas oportunidades de ganho para o capital por meio da circulação dos empreendimentos pela cidade, confinados à espaços estratégicos. São nestes interstícios que aparecem as construções mambembes que refletem as dificuldades da moradia, deslocamento e crescimento de uma grande metrópole.