Quais as diferenças entre os museus, galerias e espaços institucionais, lugares fechados mas oferecidos ao “grande público” e as ruas da cidade? Segundo Gérard Lebrun, Habermas dedica “páginas apaixonantes à formação, no século XVIII, de uma esfera de expressão pública”, embora perceba que esta esfera continua pertencendo ao domínio privado, pois são os interesses ligados às ações e gestão privadas que repercutem nesta expressão pública.
No século XVIII os salões de arte passam a ser freqüentados pelo “grande público”, assim como o teatro e os concertos – que são pagos e têm um público bastante restrito. A critica de arte desenvolve-se e as obras passam a ser temas de discussão. “Pela primeira vez, uma classe quase unicamente dedicada à reprodução da vida social consegue exprimir-se alto e bom som, e fazer desta expressão uma instância política.”(3)
No momento de seu surgimento o museu dispunha-se à oferecer ao grande público um acesso à obras que antes estavam confinadas à aristocracia. Mas como são estes museus?(4) Paul Valéry e Marcel Proust, tomaram posições opostas mas igualmente interessantes sobre o assunto. Ambos se referem à mortalidade, da obra no museu; mas “quem está com a razão, o critico ou o defensor do museu?” Valéry parte do caráter sagrado da cultura, e mostra grande resistência à mudanças. Já Proust aceita as constantes mudanças, mostra um certo conformismo. Enquanto Proust pensa na subjetividade do homem, colocando-o como central nesta situação, Valéry acredita que “apenas o que existe por si, sem dar atenção aos homens aos quais deveria agradar, cumpre a sua vocação humana.”(5) Este conflito de posições não se antagonizam, mostram a conflito inerente à coisa: “ambos tomam o lugar de momentos dessa verdade, que reside no desdobramento da contradição. A fetichização do objeto e a presunção do sujeito corrigem-se mutuamente.”(6)

 

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