Quais são os usos destas ruas, praças e parques da cidade? Richard Sennett descreve o espaço público em oposição ao espaço privado dizendo que, no século XIX a burguesia acreditava que “’em público’ as pessoas experimentam sensações e relações humanas que não poderiam ser experimentadas em qualquer outro cenário ou contexto social.”(1) Em oposição ao espaço público estava o espaço da família burguesa idealizada, onde a ordem e a autoridade eram incontestadas. Ao usarem as relações familiares como um padrão ideal, as pessoas passam a olhar o espaço público como o caos do qual devem se proteger. O terreno privado era a proteção contra os terrores da sociedade. Enquanto este domínio era considerado moralmente superior, o domínio público passa a ser visto como “uma espécie de limbo moral”; sair para “perder-se no público” era escapar da carga de respeitabilidade da intimidade, era passar por entre estranhos que assim desejavam permanecer. Sennett acredita que as pressões de privatização provocadas pelo capitalismo industrial via cultura pública urbana está por trás desta visão: “O capitalismo industrial estava também, e diretamente, em atividade na vida material do próprio domínio público.”(2)

 

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